Duplicata escritural e o Banking as a Service (BaaS). Esses são, hoje, os principais vetores de novas oportunidades de negócio para os bancos no Brasil. A conclusão é do “Panorama da Inovação no Sistema Financeiro”, levantamento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e da consultoria Bip, divulgada nesta sexta-feira (29/8). A pesquisa ouviu instituições de diferentes portes e modelos (S1 a S5, com predominância de S3 e S4*). Ela indica um setor tocando várias frentes em paralelo — de modernização regulatória a exploração comercial de novas tecnologias.
“Vivemos um momento em que diferentes inovações avançam em paralelo, cada uma com um papel específico para o sistema financeiro. A Inteligência Artificial (IA) traz eficiência e novos serviços, o Pix já é uma realidade de receitas, e duplicata escritural e BaaS apresentam grande potencial de expansão de negócios”, afirmou Leandro Vilain, CEO da ABBC.
Segundo o estudo, a IA já ultrapassou a fase de prova de conceito. Hoje, 62% das instituições dizem utilizar IA. E 79% a enxergam como principal alavanca de eficiência, tanto para automatizar processos quanto para personalizar ofertas em crédito e atendimento. O movimento convive com uma agenda de inovação mais ampla — Open Finance, split payment, VASP/ativos virtuais e tokenização — em estágios distintos de maturidade, com Pix e Open Finance já disseminados na base das associadas.
Alcance comercial
No caso das duplicatas, o potencial está na digitalização do título e no uso mais eficiente de garantias e recebíveis. No do BaaS, em modelos white label que permitem a empresas não financeiras ofertarem serviços bancários com menor tempo de go-to-market, ampliando o alcance comercial das instituições parceiras.
Há, também, diferenças por segmento. As instituições S3 se mostram mais otimistas quanto às oportunidades de monetização nas iniciativas avaliadas. Já as S4 direcionam esforços para cumprir marcos regulatórios e adequações operacionais. O estudo registra que 73% das instituições mantêm orçamento dedicado a pelo menos uma frente de inovação — um indicativo de que a transformação segue financiada, apesar do ambiente competitivo e da pressão por resultados de curto prazo.
Segundo Luigi Iervolino, sócio da Bip, os resultados reforçam a diversidade de frentes que estão em curso no setor. “As instituições equilibram a modernização regulatória com projetos de inovação que aumentam competitividade, eficiência e geração de novas receitas”.
*O S3 é composto pelas instituições de porte inferior a 1% do PIB. O S4 é composto pelas instituições de porte inferior a 0,1% do PIB.