
A Polícia Federal (PF) realiza nesta manhã de quarta-feira (14/1) a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master do empresário Daniel Vorcaro.
De acordo com o Valor Econômico, há buscas relacionadas a endereços de Vorcaro, mas também do empresário Nelson Tanure e de João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag – investigada por suposta conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.
Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também há medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.
Preso em novembro pela PF, enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, Vorcaro teve a prisão relaxada e está em prisão domiciliar.
Defesa
Em nota à Agência Brasil, a defesa do dono do Master informou que ele tem colaborado com as autoridades: “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.”
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, complementa a nota.
Contexto
Em novembro, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero. A ação investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.
“Maior fraude bancária do País”
Em entrevista a jornalista nesta terça-feira (13/1), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso envolvendo o Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do País. Segundo ele, o governo acompanha de perto a atuação do BC. E mantém diálogo permanente com a autoridade monetária desde a decretação da liquidação da instituição financeira.
“O caso [Master] inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, podemos estar diante disso. Então temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar. Mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”, disse o ministro ao chegar ao Ministério da Fazenda.
Haddad informou que tem conversado diariamente com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Ele fez questão de manifestar apoio público ao trabalho conduzido pelo BC no caso. “Estou absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram”, afirmou Haddad, durante conversa com jornalistas.
Apoio ao BC
Em mais de uma manifestação, entidades setoriais da indústria financeira declararam apoio ao BC em relação à decisão sobre a liquidação extrajudicial do Master. Em nota conjunta, divulgada em 5/1, 11 entidades manifestaram a posição. Juntas, elas representam 757 instituições financeiras (IFs), entre comuns e exclusivas, além de 689 cooperativas de crédito. A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), por sua vez, representa 15 associações.

As entidades disseram que “depositam plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central, nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização”. Ainda de acordo com o texto, “é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro”. A nota defende, ainda, que BC no Brasil “exerce esse papel, que inclui uma supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante.”
(Com informações da Agência Brasil)



