
O banco digital Agibank protocolou nesta quarta-feira (14/1) a documentação preliminar para uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). A operação, ainda sem valor definido, pode movimentar cerca de US$ 1 bilhão, conforme fontes disseram à Bloomberg. A instituição gaúcha pretende listar os papéis sob o código “AGBK“. A coordenação global da oferta será dos norte-americanos Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup. A operação terá como coordenadores também Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Societé Générale, XP Investments e Oppenheimer.
De acordo com o prospecto submetido à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais nos EUA, o pedido de IPO foi feito pela holding AGI Inc. e inclui a listagem de ações de classes A e B. Ainda conforme o documento, o Agibank pretende usar os recursos da captação para fins corporativos gerais. “Além disso, podemos usar uma parte dos recursos líquidos para adquirir ou investir em negócios, produtos, serviços ou tecnologias. No entanto, não temos acordos ou compromissos para quaisquer aquisições ou investimentos materiais neste momento”, afirmou a empresa no texto.
Com cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, o Agibank tem buscado atuar de maneira omnichannel. Ou seja, combina canais de atendimento como aplicativo e internet banking com as unidades físicas, chamadas pela instituição de smart hubs. Hoje, são mais de 1,1 mil pontos desse tipo.
O crédito consignado (público e privado) é o carro-chefe do banco digital. Da carteira de crédito de R$ 34,5 bilhões, mais de 86% (ou R$ 29,7 bilhões) são empréstimos com garantia de renda – sejam benefícios previdenciários do INSS ou do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), sejam folhas de pagamento do setor público ou privado. A maior fatia (quase 80% da carteira) é oriunda do consignado para beneficiários do INSS.
Segundo balanço publicado no site da empresa, nos nove primeiros meses de 2025, o Agibank teve lucro líquido de R$ 875,5 milhões, alta de 35,4% em relação a igual intervalo do ano anterior. As receitas totais cresceram 53,8% na mesma base de comparação, para R$ 8,2 bilhões. O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE, na sigla em inglês) atingiu 40,9% ao final de setembro do ano passado.
A volta dos IPOs?
O banco fundado por Marciano Testa já vinha dando sinais do IPO nos últimos meses. Em dezembro de 2024, em uma captação de equity, a instituição levantou R$ 400 milhões com o então recém-criado fundo de Private Equity de Daniel Goldberg, da gestora Lumina Capital. Na ocasião, a operação avaliou o Agibank em R$ 9,3 bilhões.
Agora, a empresa se junta a outras fintechs brasileiras com intenção de abrir capital nas bolsas norte-americanas. Logo no começo de janeiro, o PicPay deu entrada em seu pedido de IPO na Nasdaq, reabrindo uma janela que estava fechada há mais de quatro anos. Isso porque a última fintech brazuca a virar uma empresa com ações em bolsa foi o Nubank, que abriu capital na Nyse em dezembro de 2021.
Atualmente, além do Nubank, players como Inter, PagBank (antigo PagSeguro), Stone e XP têm ações negociadas nos EUA. No terceiro trimestre de 2025, essas cinco principais instituições financeiras digitais brasileiras de capital aberto somaram R$ 7,15 bilhões em lucro líquido. O resultado representa uma expansão de 27% em relação a igual período do ano anterior.