Escritório do Nubank em SP | Divulgação
Escritório do Nubank em SP | Divulgação

O Nubank informou nesta segunda-feira (26/1) que vai investir mais de R$ 2,5 bilhões em escritórios nos próximos cinco anos, inclusive no Brasil. O banco digital planeja abrir novas sedes nas cidades de São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Todas, portanto, na região Sudeste.

A decisão acompanha a mudança no modelo de trabalho. Em novembro do ano passado, a alteração gerou reação entre funcionários [entenda mais abaixo]. Atualmente, as equipes comparecem ao escritório uma semana por trimestre. A partir de 1/7/2026, o regime passa para dois dias presenciais por semana. Depois disso, em 1/1/2027, os profissionais deverão ir aos escritórios três vezes por semana.

À época do comunicado, a instituição financeira afirmou que a medida buscava reforçar a cultura interna e acelerar a rotina operacional.

Novos endereços

Em São Paulo, o Nubank deve ocupar dois novos prédios. A partir de 2027, a empresa diz que vai levar funcionários para o Cyrela Corporate, projeto do estúdio italiano Pininfarina, localizado na rua Oscar Freire. O prédio contará com 35 mil metros quadrados e tem capacidade para mais de 3 mil pessoas.

Antes disso, em abril deste ano, equipes da fintech começam a atuar no Capote 210. O edifício de 20 andares terá um espaço de inovação voltado à criação conjunta de produtos com clientes. Com essas unidades, o bairro de Pinheiros reunirá quatro escritórios do Nubank, que somarão 5,7 mil estações de trabalho.

Em seguida, a empresa afirma que vai ampliar a presença em outras cidades. Até o segundo semestre deste ano, o Nubank diz que vai abrir uma sede em Campinas, no complexo Bresco Viracopos. Trata-se de um projeto mais ambicioso, com área de 9.150 metros quadrados.

No Rio de Janeiro, por outro lado, a fintech ocupará 6.870 metros quadrados distribuídos em cinco andares do edifício Vista Mauá. Em Belo Horizonte, a empresa também quer instalar um escritório, ainda sem endereço definido. A previsão indica o início das operações até o segundo semestre deste ano.

De acordo com a companhia, a escolha das regiões considera a atração e a permanência de profissionais. “Investir em espaços físicos é investir na nossa capacidade de inovar. É no escritório, no contato direto entre os profissionais, que grandes ideias nascem e evoluem com a agilidade que o nosso negócio exige”, disse Livia Chanes, CEO do Nubank no Brasil, em nota.

Exterior e crescimento

Fora do Brasil, o Nubank planeja ampliar o escritório na Cidade do México, capital do México, one o banco digital está presente desde 2019. Para tanto, a unidade ganhará dois andares, passará a ter cinco pavimentos e capacidade para 700 pessoas.

Depois disso, em 2028, a empresa ocupará o edifício Nogal, no bairro Andino, em Bogotá, na Colômbia. O espaço terá 14 mil metros quadrados e poderá receber mais de mil funcionários.

Essas medidas acompanham a expansão do Nubank. Dados da própria fintech indicam que o quadro de funcionários cresceu 26% entre setembro de 2023 e setembro de 2025, chegando a 9,5 mil pessoas. No mesmo período, a base de clientes no Brasil, no México e na Colômbia passou de 59 milhões para mais de 127 milhões.

Relembre a ‘treta’

Funcionários do Nubank tornaram público um manifesto em 12/11/2025. Primeiro, eles afirmaram que a adoção do modelo híbrido exige uma reorganização profunda da vida pessoal e profissional. Segundo os relatos, muitos aceitaram as vagas por causa do regime de trabalho remoto. Com isso, organizaram a vida familiar e financeira em outras cidades, inclusive com compra de imóveis e assinatura de contratos de aluguel. Em seguida, os trabalhadores disseram que o retorno presencial pode dificultar a rotina de quem cuida de filhos, pais ou outros familiares.

Esses temas conduziram a plenária virtual do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, realizada no mesmo dia e com quase 300 participantes. Durante o encontro, os participantes criticaram a forma de comunicação da mudança. Além disso, questionaram a ausência de diálogo e demonstraram preocupação com demissões por justa causa. À época, os funcionários afirmaram que os deslocamentos para grandes centros urbanos reduzem a renda disponível e afetam a qualidade de vida.

Depois disso, os trabalhadores contextualizaram a decisão da empresa. O comunicado do Nubank do fim do formato atual de uma semana presencial por trimestre gerou reação imediata. No mesmo dia, a empresa demitiu cerca de 12 funcionários após reunião com o CEO David Vélez.

Em comentários no LinkedIn, Vélez afirmou que os desligamentos ocorreram por extrapolação de limites do ambiente profissional. Na plenária, os trabalhadores relataram que as demissões atingiram principalmente grupos minorizados e ampliaram a mobilização, que inclui pedidos de reversão da política, mais transparência nos critérios de exceção, suspensão de punições, reintegração dos demitidos e a construção de um acordo coletivo com regras claras para contratos remotos.