
O PicPay busca levantar entre US$ 365,7 milhões e US$ 434,3 milhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq, bolsa norte-americana com foco em empresas de tecnologia. Com isso, o banco digital da J&F – dos irmãos Batista – pode estrear no mercado acionário valendo mais de US$ 2,5 bilhões, considerando o número de ações em circulação que consta do prospecto enviado nesta terça-feira (20/1) à Securities and Exchange Commission (SEC).
De acordo com o documento, o PicPay prevê a venda de 22.857.143 de ações ordinárias Classe A, com faixa de preço estimada entre US$ 16 e US$ 19 por papel. No ponto médio do intervalo – ou seja, US$ 17,5 -, a oferta pode movimentar cerca de US$ 400 milhões. As ações da empresa serão listadas sob o código “PICS“. A precificação está prevista para dia 28/1, segundo o Valor Econômico.
Segundo o prospecto, a gestora Bicycle Capital, do ex-executivo do SoftBank Marcelo Claure, indicou interesse em adquirir até US$ 75 milhões em ações Classe A ao preço do IPO. A manifestação, porém, não é vinculante e pode ser revista até o fechamento da operação.
Com a avaliação acima de US$ 2,5 bilhões, o PicPay estrearia na bolsa norte-americana num patamar inferior às cinco principais instituições financeiras digitais brasileiras de capital aberto nos EUA – Inter, Nubank, PagBank, Stone e XP. Em valor de mercado, a menor delas hoje é o PagBank, avaliado em pouco mais de US$ 3,04 bilhões.
Oferta
De acordo com o prospecto, a oferta será 100% primária, com diluição dos atuais acionistas. As ações Classe A terão valor nominal de € 0,01 e garantirão um voto por papel. Já as ações Classe B, que ficarão integralmente com a J&F, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, darão direito a dez votos cada. Ambas as classes manterão os mesmos direitos a dividendos.
Após o IPO, a J&F deterá 23,5% das ações Classe A, além do total dos papéis Classe B, o que responderá por aproximadamente 96,4% do poder de voto combinado. Isso assumindo que a opção dos subscritores de adquirir ações ordinárias Classe A adicionais não seja exercida.
Conforme o documento, o PicPay pretende destinar os recursos para propósitos corporativos gerais, incluindo capital de giro, despesas operacionais e cumprimento de requisitos regulatórios de capital. Parte dos recursos também irá para a aquisição da Kovr, que pertencia ao Banco Master. A operação depende aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
A oferta conta com Citigroup, BofA Securities e RBC Capital Markets como coordenadores globais. Mizuho, Wolfe | Nomura Alliance, Bradesco BBI, BB Securities, BTG Pactual e XP Investment Banking atuam como bookrunners, enquanto FT Partners é co-manager.
Retomada
O PicPay tentou abrir capital nos Estados Unidos em 2021, quando chegou a ser avaliado em cerca de R$ 20 bilhões. A exigência de desconto elevado por parte dos investidores, porém, levou a J&F a recuar. O plano ficou para 2023, mas perdeu força com juros elevados e ambiente menos favorável para novas listagens.
Se avançar, o IPO pode recolocar fintechs brasileiras no radar do mercado internacional após mais de quatro anos sem estreias do setor. A última foi o Nubank, que abriu capital nos Estados Unidos em dezembro de 2021. Além do PicPay, o Agibank entrou com pedido de IPO na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). A operação, ainda sem valor definido, pode movimentar cerca de US$ 1 bilhão, conforme fontes disseram à Bloomberg.
Com 66 milhões de contas e 42 milhões de usuários ativos, o PicPay teve lucro líquido de R$ 313,7 milhões entre janeiro e setembro de 2025, alta de 82,4% em um ano. No mesmo intervalo, a receita líquida cresceu 92% e somou R$ 7,3 bilhões.