Escritório do PicPay em São Paulo
Escritório do PicPay em São Paulo | Imagem: Rogério Cassimiro

O PicPay, banco digital da J&F – holding dos irmãos Batista – protocolou nesta segunda-feira (5/1) a documentação preliminar para realizar sua estreia no mercado acionário internacional por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq, bolsa norte-americana com foco em empresas de tecnologia. A operação, que ainda não tem valor definido, pode movimentar até US$ 500 milhões, de acordo com reportagens de Valor Econômico e Brazil Journal. A companhia pretende listar os papéis sob o código PICS. A coordenação global da oferta ficará a cargo de Citigroup, Bank of America (BofA) e RBC Capital Markets.

De acordo com o prospecto submetido à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais nos EUA, a oferta terá a participação da gestora Bicycle, que atuará como investidor-âncora. O grupo, do ex-SoftBank Marcelo Claure, indicou a intenção de investir até US$ 75 milhões na compra de ações Classe A, sujeito à confirmação após a aprovação do registro. Essas ações, conforme a companhia, terão bloqueio para venda por seis meses.

Retomada

A fintech chegou a ensaiar uma abertura de capital nos Estados Unidos em 2021. À época, a operação chegou a ser avaliada em cerca de R$ 20 bilhões. Mas a exigência de um desconto elevado por parte dos investidores, porém, levou a J&F a recuar. O plano foi adiado para 2023, mas perdeu fôlego com juros elevados e um ambiente menos favorável para novas listagens.

Se avançar, o IPO pode recolocar fintechs brasileiras no radar do mercado internacional após mais de quatro anos sem estreias do setor. A última foi o Nubank, que abriu capital nos Estados Unidos em dezembro de 2021.

Com 66 milhões de contas e 42 milhões de usuários ativos, o PicPay teve lucro líquido de R$ 313,7 milhões entre janeiro e setembro de 2025. O número corresponde a uma alta de 82,4% em um ano. No mesmo intervalo, a receita líquida cresceu 92% e somou R$ 7,3 bilhões.

Oferta

No prospecto enviado à SEC, o PicPay diz que as ações ordinárias Classe A, que são os papéis destinados ao público investidor e negociados em bolsa, terão valor nominal de € 0,01. Elas não contavam, até agora, com negociação em mercado aberto. Já as ações Classe B, concentradas com os acionistas controladores e usadas para manter o poder de voto, não entrarão em negociação em nenhuma bolsa.

Após a abertura de capital, o PicPay afirma que as ações Classe A devem garantir um voto por papel. As ações Classe B devem dar direito a dez votos cada, embora ambas mantenham os mesmos direitos a dividendos.

A totalidade das ações Classe B ficará nas mãos da J&F, holding controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. Esse movimento fará da companhia uma empresa controlada segundo as regras de governança da Nasdaq. A estrutura permitirá aos controladores influência direta sobre decisões estratégicas, incluindo a composição do conselho de administração.

Riscos e compra futura de ações

A operação prevê, ainda, a emissão de warrants pelo acionista controlador, que darão direito à compra futura de ações Classe A pelo preço do IPO, com prazos e condições previamente definidos. O PicPay diz que não receberá recursos provenientes desses instrumentos.

A companhia se enquadra na categoria de empresa emergente de crescimento segundo a legislação dos Estados Unidos, o que permite exigências regulatórias reduzidas.

Ainda assim, em documento, o prospecto alerta que o investimento envolve riscos e informa que até 3% das ações poderão ser direcionadas a funcionários e executivos. A SEC ainda não avaliou nem aprovou os papéis.