Com R$ 4,1 trilhões movimentados em 2024, somando 45,7 bilhões de transações, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), os cartões de crédito, débito e pré-pagos seguem relevantes no cenário de pagamentos brasileiro. Mesmo diante da ascensão de soluções instantâneas como o Pix e da chegada de novas tecnologias — como stablecoins, carteiras digitais e moedas digitais emitidas por bancos centrais, como o Drex —, os cartões ainda desempenham papel central na integração entre os diversos meios de pagamento.
Para Rafael Goulart, country manager da Pomelo no Brasil, esse movimento representa mais do que avanço tecnológico: trata-se de uma transformação estrutural. “Estamos diante de uma mudança profunda no sistema global de pagamentos. Soluções como o Drex, stablecoins e redes instantâneas estão ganhando espaço, sinalizando uma descentralização real dos fluxos financeiros. Isso abre caminho para que mais agentes, especialmente empresas, possam oferecer serviços financeiros dentro de seus próprios ecossistemas”, afirma.
Segundo Rafael, essa transição já está em curso. “Na Pomelo, vemos isso na prática: os cartões estão se tornando ferramentas de acesso a novos meios de pagamento. Já é possível que um único cartão opere com diferentes moedas ou contas, facilitando o uso de criptoativos e aumentando a eficiência tanto para emissores quanto para usuários”, explica.
Ele destaca ainda que o avanço tecnológico no setor exige mais do que agilidade. “É um momento em que a inovação precisa ser rápida, mas também estratégica. Quem conseguir conectar tecnologia, experiência do usuário e infraestrutura regulatória sairá na frente na construção do futuro dos pagamentos.”
A análise foi feita durante o painel “Quando o dinheiro acaba? Pix, Drex, stablecoins e sistema global de pagamentos”, realizado no “Rio Innovation Week 2025“, no Rio de Janeiro.
*Jornalista, sócio e CEO da Ovo Comunicação.