A MSW Capital é uma gestora de Venture Capital especializada em Corporate Venture Capital (CVC), conectando grandes empresas a startups inovadoras de base tecnológica para impulsionar inovação e crescimento estratégico através de investimento minoritário.
Pioneira no Brasil na gestão de fundos de VC com corporações e idealizadora do primeiro fundo multi-corporativo, a MSW investe em rodadas seed e Série A. A gestora busca negócios com alto potencial de sinergia com seus investidores corporativos. Seu modelo permite que empresas tradicionais se aproximem do ecossistema de inovação de forma estruturada, acelerando a adoção de novas tecnologias e ampliando sua competitividade no mercado.
Richard Zeiger, sócio da MSW Capital, afirma que interage com centenas de startups todos os anos antes de decidir por um investimento. “Ao analisar 400 startups em um ano e investir em duas, as outras 398 conversas e interações geram aprendizados que alimentam as diferentes unidades de negócios das corporações e seus executivos”, afirma o executivo.
Leia, a seguir, os principais trechos da conversa:
Como a MSW Capital identifica startups com potencial de crescimento e sinergia com os investidores corporativos?
Antes de qualquer análise de startup, fazemos um diagnóstico com cada corporação investidora — seja em fundos proprietários ou multi-corporativos. Isso permite entender quais verticais de inovação fazem sentido de acordo com os seus objetivos estratégicos. Com essas teses definidas, atuamos de duas formas. De maneira orgânica, por meio das 40 a 50 startups que nos chegam mensalmente e são analisadas conforme essas teses. E de forma inorgânica, com chamadas específicas para verticalizar o funil e a busca ativa em eventos do ecossistema.
Diferentemente dos fundos de Venture Capital tradicionais que evitam a participação dos investidores, o modelo da MSW inclui a corporação no processo de escolha das investidas dos fundos. Então, antes de definir um alvo de investimento, testamos o interesse e o potencial de sinergia com as corporações. Isso porque o verdadeiro diferencial do CVC está na jornada do pós-investimento: no impulso que pode ser gerado entre a corporação e a startup. Para que isso aconteça, criamos o que chamamos de “plano de impulso”, com ações conjuntas que vão gerar sinergias.
Desafios
Quais são os principais desafios ao gerir um fundo de Venture Capital multicorporativo e como a MSW Capital os supera?
O maior desafio ocorre antes mesmo de o investimento acontecer no fundo: convencer a corporação de que investir em um fundo multicorporativo traz benefícios reais. Muitas ainda acreditam que precisam escolher entre um fundo proprietário ou um multicorporativo, mas uma estratégia robusta pode — e deveria — considerar ambos.
A partir do momento em que investem, as empresas rapidamente percebem o valor. A troca de experiências entre corporações e o contato direto com empreendedores faz com que a percepção de valor aconteça quase que imediatamente. Um grande diferencial do nosso modelo é que, mesmo em um fundo com empresas de setores distintos, como energia, agro e seguros, conseguimos alocar os recursos de forma alinhada com os interesses de cada corporação.
Outro grande diferencial é a possibilidade para o empreendedor das investidas ter acesso e fazer/desenvolver negócios com as corporações do mesmo fundo. No MSW MultiCorp 2, por exemplo, temos casos de empresas que desenvolveram frentes com três corporações distintas.
De que forma a MSW Capital impulsiona a inovação dentro das corporações investidoras dos seus fundos?
Nosso impulso à inovação passa por identificar e apresentar negócios que extrapolam o core business das corporações de forma contínua. São oportunidades que dificilmente seriam desenvolvidas internamente, mas que podem trazer rapidamente novos horizontes, aprendizados estratégicos e principalmente novas soluções para clientes.
Há enorme valor no processo. Explico: ao analisar 400 startups em um ano e investir em duas, as outras 398 conversas e interações geram aprendizados que alimentam as diferentes unidades de negócios das corporações e seus executivos. Por isso, essa troca constante com novos modelos de negócio é o que potencializa a inovação aberta de forma transformadora. Além disso, outro elemento importante na forma que atuamos é o fato de possibilitar que o executivo da corporação investidora participe dos conselhos das investidas.
Tendências
Quais tendências emergentes você observa no ecossistema de Venture Capital brasileiro e como a MSW Capital se posiciona diante delas?
Olhando historicamente, passamos por grandes ondas tecnológicas — como a chegada da internet e depois o avanço das soluções em nuvem. Agora, vivemos a era da Inteligência Artificial, que está permitindo criar estruturas mais leves e eficientes para resolver grandes problemas com times menores. Essa é uma tendência que vemos crescer: empresas fazendo mais com menos.
Qual o investimento mais recente que vocês fizeram e qual foi o racional por trás dele?
A MSW é gestora do BB Ventures, um dos fundos do Programa de Corporate Venture do Banco do Brasil (BB). Naturalmente, o apetite por fintechs e agritechs é elevado. O BB é uma grande referência em meios de pagamentos e acreditamos muito nesse mercado.
Em 2023, investimos na Pagaleve e na Payfy, pelo BB Ventures e na Lina, pelo MultiCorp2. As três empresas estão indo muito bem. Neste ano, fizemos mais um investimento em uma startup dessa área e vamos divulgar em breve.
*Jornalista, sócio e CEO da Ovo Comunicação.