MUDANÇA DE ROTA

Divibank 'pivota' negócio e levanta R$ 47 milhões

Antes focada em financiamento para ações de marketing digital, fintech agora oferece orquestração de pagamentos e captou um novo investimento

Jaime Taboada e Rebecca Fischer/Divibank
Jaime Taboada e Rebecca Fischer/Divibank | Imagem: divulgação

A Divibank, que começou em 2020 como uma plataforma de financiamento para campanhas de marketing digital, mudou o foco do negócio para orquestração de pagamentos no ano passado. A “pivotagem” se deu por demanda dos seus próprios clientes, mas os fundadores da fintech reconhecem que o cenário macroeconômico e a necessidade de capital intensivo para operar com crédito impactaram os planos da empresa nos últimos anos.

“Foi uma decisão estratégica, não por inadimplência. Pausamos as novas originações de financiamento, mas ainda temos o portfólio. No futuro, queremos ter novamente essa oferta, mas nosso foco agora é pagamentos”, diz Jaime Taboada, co-fundador e CEO da Divibank, ao Finsiders Brasil. Segundo ele, seus clientes já vinham reclamando de players do mercado de pagamentos por problemas como altas taxas cobradas, baixos níveis de aprovação das transações e falta de transparência. “Hoje tem muito dinheiro que fica na mesa porque as transações não são aprovadas”, diz a co-fundadora Rebecca Fischer.

Para avançar nos planos nesta nova fase, a Divibank anuncia nesta quarta-feira (2/4) um aporte de US$ 8,2 milhões (cerca de R$ 47 milhões). A captação tem a liderança do fundo norte-americano Better Tomorrow Ventures, que já investia na fintech. A rodada contou com a participação de novos fundos, como Alter Global, Allievo Capital, Endeavor Scale-Up Ventures e Presight, além de outros investidores atuais, como Maya Capital, Clocktower Ventures, Magma Partners, Gilgamesh Ventures e Rally Cap Ventures.

Subadquirente

Com o cheque, que vem quase quatro anos depois da última captação, a Divibank pretende acelerar o desenvolvimento de sua plataforma, investir em tecnologia e fortalecer parcerias estratégicas – por exemplo, com plataformas de e-commerce. Um dos planos, diz Jaime, é se tornar uma subadquirente. “Queremos processar os pagamentos”, conta. “Também vamos contratar pessoas para o time, especialmente de engenharia.”

Para Jake Gibson, sócio-fundador da Better Tomorrow Ventures, o histórico da Divibank no crédito proporciona uma “vantagem única” no mercado de pagamentos. “Acompanhamos a trajetória da Divibank desde seu primeiro produto de financiamento de para marketing digital até sua transformação para a orquestração de pagamentos. Apostamos na empresa desde o início e continuamos a ver um enorme potencial em sua capacidade de adaptação e inovação”, disse ele, em nota.

Orquestração de pagamentos

Com a Divibank Pay, como a fintech batizou a solução de pagamentos lançada em setembro de 2024, e-commerces e lojistas de diferentes setores podem se conectar a vários provedores de pagamentos simultaneamente. A plataforma direciona a transação para o processador com o menor custo. A integração pode ser diretamente no check-out da loja virtual por meio de API, ou via link de pagamento, explica Rebecca. API é a sigla em inglês para interface de programação de aplicação.

Conforme o modelo de orquestração de pagamentos, se uma transação é recusada por um processador, o sistema da Divibank automaticamente tenta outro. “Recuperamos transações que seriam perdidas com um único provedor, convertendo oportunidades desperdiçadas em receita real”, diz Jaime. Durante a última edição da Black Friday, por exemplo, a fintech afirma ter alcançado uma taxa de aprovação de 96% para seus clientes.

Desde o início da operação do Divibank Pay, a fintech diz que o volume movimentado cresceu 89,24% ao mês, enquanto o número de transações avançou 45,7% ao mês. A expectativa é crescer mais de 10 vezes até o final deste ano. Hoje, esse produto tem mais de 40 clientes ativos. A empresa não informa quanto já transacionou até agora, tampouco o faturamento ou se o negócio é lucrativo.

Perguntado sobre os diferenciais da Divibank Pay em relação a outras soluções de mercado, Jaime diz que hoje a orquestração de pagamentos é muito voltada para e-commerces que vendem para o consumidor final (B2C). “No nosso caso, estamos próximos dos clientes para ver como podemos ajudá-los no B2B. Por exemplo, gestão de pagamentos a fornecedores”, cita o CEO.

Pix Parcelado no radar

Como parte da mudança de foco para pagamentos, a Divibank vem investindo em soluções atreladas ao Pix. A primeira delas foi o Pix via Open Finance, por meio da iniciação de pagamento. “A jornada para o consumidor ficou mais curta, e elimina aquele ‘copia e cola'”, explica Rebecca.

A fintech também está estudando a oferta do Pix Parcelado, modalidade que o Banco Central (BC) prevê lançar em setembro deste ano. Para os empreendedores, o Pix Parcelado mudará o jogo e será uma alternativa ao cartão de crédito. “Ainda estamos avaliando se vamos fazer dentro de casa ou via parceiro. Temos experiência em crédito, o que nos permite desenvolver essa solução internamente”, afirma Jaime.

Enquanto construía o novo caminho em pagamentos, a Divibank recebeu a autorização do Banco Central para atuar como uma Sociedade de Crédito Direto (SCD). A aprovação veio em outubro de 2024. A fintech não está operando com a licença, e avalia “opções no mercado”, diz Jaime. “Temos até um ano para colocar a SCD em operação”, explica o CEO.