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Abandonando o barco: XP e PicPay saem da operação de criptomoedas

Depois da XP, agora também o PicPay anunciou que vai sair da operação de criptmoedas. As duas corretoras digitais param de aceitar novas compras no dia 20/10.

Segundo o PicPay, a decisão se deve à indefinição regulatória do setor. O Banco Central (BC) deve abrir consulta pública ainda neste ano para a regulamentação das prestadoras de serviços ligados a criptoativos e pode soltar as primeiras regras em 2024.

“Criptomoedas em geral representam um percentual pequeno da carteira de cada investidor, então há um mundo que podemos explorar com outras aplicações que complementem a experiência do app e aumentem o valor para o cliente”, disse Daniel Mandil, executivo responsável pela operação. Assim, a empresa vai direcionar o time para a ampliação do “portfólio de produtos e serviços que facilitem a vida financeira dos usuários”, completou.

Os profissionais que estavam em criptos serão realocados nesses outros produtos em serviços. Um deles é, por exemplo, o braço de investimentos que lançou em agosto passado, que oferece CDBs, LCIs e LCAs e cerca de 70 fundos. A empresa também tem conta digital, cartão, empréstimos, seguros, Shop e benefícios corporativos.

De acordo com analistas de mercado, a corretagem de transações de criptomoedas é muito baixa e se o volume não for alto, sustentar a operação fica mais difícil ainda. O fundador da carteira digital Bitfy, Lucas Schoch, disse recentemente ao Blocknews que as criptomoedas e a corretagem delas se tornou commodity. Assim, a empresa passou a focar em venda de soluções B2B em blockchain até mudou de nome – agora é BWS. As corretoras de criptomoedas também buscam aumentar seus negócios nessa área, cada uma com um modelo.

A plataforma do PicPay começou a operar em agosto de 2022 e a empresa disse que chegou a ter 1 milhão de usuários em cinco meses. A empresa estava oferecendo Bitcoin, Ethereum, Pax Dollar, Litecoin, Polygon e Uniswap.

O PicPay chegou a estudar ter uma moeda estável (stablecoin), ou seja, com preço atrelado a um ativo, como dólar. Por enquanto, diz que vai continuar no piloto do Drex, o real digital. “Nada muda em relação à nossa crença na tecnologia como infraestrutura, e continuamos disponíveis para atuar, junto ao Banco Central, para impulsionar e popularizar esse mercado no Brasil”, disse Anderson Chamon, vice-presidente de Produtos e Tech do PicPay.

Chamon explica que, depois de a companhia ter testado o mercado sob a regulação atual, decidiu por retomar a atuação “quando houver mais clareza sobre o tema”.

Os clientes estão sendo avisados hoje, segundo o PicPay com detalhes sobre os próximos passos. A partir desta sexta-feira não e possível mais comprar criptos pelo aplicativo. Os usuários que têm saldo em criptomoedas no PicPay podem liquidar seus tokens, sem taxas, até o dia 11 de dezembro.

Mas, quem quiser manter as criptos, pode fazer a portabilidade para a Foxbit. Para isso, precisa avisar a empresa pelo aplicativo, na área cripto, a partir de 30 de outubro. No caso da Xtage, a plataforma da XP, o cliente nunca pode e ainda não vai poder fazer a portabilidade. Precisa vender suas criptomoedas até 15 de dezembro e sacar em reais.