Artigo: 'Banco invisível' e a digitalização do setor financeiro

Digitalização abre espaço para a oferta de serviços financeiros embutidos em plataformas e marketplaces, escreve Suzy Ferreira, CEO da Dinie

Foto: Gilles Lambert/Unsplash
Foto: Gilles Lambert/Unsplash

Por Suzy Ferreira*, exclusivo para o Finsiders

A digitalização do setor financeiro vem crescendo e transformando de forma consistente o mercado brasileiro nos últimos anos. Com a chegada das fintechs – que já somam quase 1.500 no país, de acordo com dados da Fincatch – o acesso a produtos financeiros intuitivos e ágeis tornou-se cada vez mais acessível para o consumidor.

O ecossistema de fintechs movimentou US$ 210 bilhões em negócios durante 2021, um recorde no cenário global. No Brasil, o investimento em startups triplicou no ano passado – dos R$ 46,5 bilhões arrecadados em investimentos, 30% foram diretamente para as fintechs e insurtechs, conforme estudo da KPMG e da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).

Entre outros motivos, esse crescimento expressivo se deu por conta da digitalização da economia originada pela pandemia da covid-19. O isolamento social durante mais de um ano acabou por acelerar uma forte migração na demanda de serviços tradicionais para os eletrônicos, o que aumentou a necessidade da criação de infraestruturas financeiras digitais inteligentes.

Essa tendência atingiu diversos setores, e empresas de diferentes tamanhos precisaram se adaptar e aprimorar sua experiência digital, evoluindo processos de entrega e cobrança para plataformas de e-commerce e marketplaces dos mais diversos.

De acordo com dados de um estudo realizado pela Edelman, 93% das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras mudaram a forma como trabalham, e adotaram novas tecnologias e soluções para prosperar.

Digitalização e PMEs

Pensando nesse mercado potencial de cerca de 17 milhões de PMEs que têm a necessidade do acesso ao crédito e outros serviços financeiros, a fintech Dinie se aproximou das plataformas e marketplaces para trazer o conceito de ‘banco invisível’.

Significa incluir serviços financeiros na jornada do usuário por meio de uma infraestrutura de ‘embedded finance’, trazendo comodidade para o pequeno empreendedor, que evita burocracias para acessar crédito e pode resolver tudo no mesmo ambiente em que seu negócio já acontece, sem a necessidade de altos investimentos.

Ao conectar comerciantes a soluções financeiras já existentes, plataformas e marketplaces podem focar em dividir suas estratégias de venda com as pequenas e médias empresas, enquanto as fintechs se responsabilizam por inovar e aperfeiçoar os benefícios financeiros em todas as pontas de forma constante e personalizada.

Suzy Ferreira, fundadora e CEO da Dinie (Divulgação)
Suzy Ferreira, fundadora e CEO da Dinie (Divulgação)

Com reforço especializado em diferentes frentes, os negócios brasileiros já vêm colhendo os frutos: segundo um levantamento recente da Locaweb, 41% dos entrevistados passaram a comprar online de PMEs no último ano, o que reforça o movimento de digitalização.

Os serviços financeiros incorporados às plataformas promovem facilidade de pagamento e condições comerciais diferenciadas, além de mais segurança ao promover transações em um único ambiente.

Isso faz com que o processo de ‘fintechzação’ seja cada vez mais consolidado, intensificando até mesmo o interesse dos bancos tradicionais em se movimentar na mesma tendência do ‘beyond banking’, agregando soluções em outros setores que também façam a diferença na vida do cliente.

Outra vantagem desse modelo é que os marketplaces e plataformas passam a agregar valor não apenas com a diversificação na oferta de serviços, mas também pela coleta de dados que mostram o comportamento de todo um setor, em tempo real, colaborando para retenção e engajamento com o cliente.

Estamos vivendo a era da digitalização dos sistemas financeiros, o que certamente revoluciona a maneira como os negócios acontecem. E-commerces e marketplaces foram os primeiros, mas ainda existem muitos setores a serem explorados, e que irão ditar o comportamento do mercado financeiro no curto e médio prazo.

*Suzy Ferreira é fundadora e CEO da Dinie, infraestrutura de crédito para plataformas B2B.

As opiniões neste espaço refletem a visão dos especialistas e executivos de mercado, e não a do Finsiders.

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