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Em mais um passo na sua ‘fintechzação’, a Via (dona da Casas Bahia) anunciou um aporte na fintech Uffa, de renegociação de dívidas. O valor do cheque não foi revelado, mas representa uma fatia minoritária no negócio.

O investimento faz parte do Programa Via Next, desenvolvido em parceria com a empresa de inovação Distrito, da qual a Via também é acionista. Por meio desse braço de Corporate Venture Capital (CVC), a companhia prevê investir até R$ 200 milhões em startups pelos próximos cinco anos.

Em operação desde o ano passado, o Uffa é um marketplace que iniciou a atuação em renegociação de dívidas e vem criando outras soluções, como crédito, dentro do que chama de ‘super portal financeiro’.

A fintech desenvolveu, por exemplo, uma plataforma de cashback que estimula a educação financeira dos usuários e recentemente lançou um portal destinado a influenciadores digitais, que oferece uma nova oportunidade de monetização ao seu canal.

Hoje, a startup soma 14,7 milhões de usuários cadastrados na plataforma — em fevereiro, quando a fundadora falou ao Finsiders, eram 2 milhões. Ao todo, a empresa mantém parceria com 12 instituições.

A Via não é a única, nem a primeira a apostar em um negócio que atua em renegociação de dívidas. No fim do mês passado, a Sinqia anunciou a compra da QuiteJá, ingressando também nesse mercado. Há quase um ano, a Boa Vista adquiriu a também plataforma on-line de renegociação de dívidas Acordo Certo, no primeiro investimento após seu IPO.

Estratégia

O investimento no Uffa é o quarto anunciado pela Via nos últimos meses. Em setembro, a empresa divulgou cheques, também minoritários, nas fintechs GoPublic, Poupa Certo e Byebnk, que oferecem diversos serviços, tais como soluções de crédito, pagamento, gestão e educação financeira, incluindo criptomoedas.

A estratégia é clara: reforçar o ecossistema financeiro, que tem o banco digital banQi e a fintech Celer, comprada neste ano pela Via. A oferta de soluções financeiras, na prática, abre novos canais de conexão com os clientes, aumenta recorrência, engajamento, fidelização e, por consequência, ajuda a crescer o lifetime value (LTV).

Vale lembrar que em meados de julho, a companhia recebeu a aprovação final do Banco Central (BC) para que o banQi opere como uma SCD (Sociedade de Crédito Direto). A notícia sobre o pedido feito pela fintech foi antecipada pelo Finsiders em 27 de maio. Na prática, o aval permite à fintech emprestar com recursos próprios.

O aplicativo do banQi soma 7,7 milhões de downloads e cerca de 4 milhões de contas digitais, das quais 1 milhão nos últimos três meses, informa a empresa no balanço do terceiro trimestre. A carteira do crediário atingiu R$ 2,6 bilhões no período. O TPV chegou a R$ 1,4 bilhão ao final de setembro — um ano atrás, somava R$ 76 milhões.

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