Solfácil recebe autorização para operar como SCD

Com uma carteira próxima de R$ 2 bilhões, a Solfácil está entre os principais players em financiamento de energia solar

Foto: Pixabay
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Há uma semana, o fundador e CEO da Solfácil, Fabio Carrara, contou ao Finsiders que a autorização para operar como Sociedade de Crédito Direto (SCD) estava “na boca do gol”. A aprovação do Banco Central (BC) acaba de sair.

Na prática, a licença permite que a fintech acelere sua oferta de financiamento, agora usando recursos próprios. Hoje, a empresa opera em parceria com duas instituições financeiras, sendo uma financeira e uma SCD.

“Com a autorização do BC, nós damos um passo natural em se tornar uma instituição financeira, uma vez que já financiamos mais de R$ 1,5 bilhão em mais de 50 mil projetos de energia solar”, comenta Fabio, ao Finsiders. “Isso nos dará mais flexibilidade e autonomia para estruturar cada vez mais linhas de financiamento atrativas para pessoas físicas e jurídicas.”

Com uma carteira próxima de R$ 2 bilhões, a Solfácil está entre os principais players em financiamento de energia solar, ficando atrás somente de bancos fortes no segmento, como o BV e o Santander. No segundo trimestre deste ano, a instituição controlada pelo Banco do Brasil (BB) e pela família Ermírio de Moraes, por exemplo, mais do que dobrou sua carteira de financiamento de energia solar, somando R$ 3,6 bilhões. Já o Santander desembolsou R$ 2,3 bilhões no ano passado.

Nos últimos meses, naturalmente, a Solfácil precisou diminuir o ritmo de originação frente ao cenário desfavorável, que trouxe alta da inadimplência. “Desaceleramos a originação, precisamos ser mais seletivos e estar atentos ao aumento da inadimplência. Focar em mais qualidade de crédito, menos crescimento e mais ‘unit economics’”, disse o empreendedor na conversa com o Finsiders há uma semana.

Como funding, a Solfácil tem sete veículos, incluindo FIDCs e outros instrumentos como debêntures — alguns já fizeram toda a originação prevista e outros ainda estão servindo como fonte de recursos para as atuais operações de financiamento.

“Temos disponibilidade [de funding] de R$ 600 milhões e um acordo para superar a marca de R$ 1 bilhão nos próximos meses. Também estamos trabalhando em novas parcerias, principalmente para o ano que vem”, afirmou o empreendedor, sem abrir detalhes.

Com uma base perto de 50 mil clientes, a Solfácil tem acordo com mais de 10 mil integradores parceiros nos 26 Estados brasileiros mais Distrito Federal.

Caixa reforçado

Na semana passada, a fintech anunciou a expansão da rodada Série C, levantando US$ 30 milhões (R$ 157 milhões) em um aporte liderado pelo fundo norte-americano Fifth Wall.

O cheque vem para reforçar a capacidade de funding na operação de financiamento de placas solares, assim como o investimento nas tecnologias que compõem o ecossistema da companhia. A projeção é aumentar em 5x o faturamento neste ano, em relação ao resultado registrado em 2021.

O brakeven está previsto ainda para este ano e a geração de caixa para o início de 2024. “Em teoria, esse capital nos leva à sustentabilidade sem precisar de uma nova rodada. Mas sempre estamos olhando oportunidades”, disse o fundador. Desde a fundação, em 2018, a Solfácil levantou US$ 164 milhões em três rodadas institucionais. No captable estão investidores como SoftBank, VEF, QED Investors e Valor Capital Group.

Fintechs de crédito

A Solfácil se junta a uma lista de mais de 80 fintechs de crédito no modelo SCD já autorizadas a funcionar, conforme informações disponíveis no site do Banco Central (BC).

Também nesta semana, as fintechs a55 e Asaas receberam o aval do regulador para operar como SCD. Há diversos players na fila, incluindo CondoConta e Sebrae, conforme o Finsiders já noticiou.

As SCDs e SEPs (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas) foram regulamentadas pelo BC em 2018, com a publicação da Resolução 4.656. Hoje, além das mais de 80 SCDs, há 10 SEPs autorizadas.

Pesquisa divulgada pela Serasa Experian mostra que o volume de crédito concedido por fintechs e bancos digitais chegou a R$ 55 bilhões em 2021, um crescimento de mais de 11x em relação a 2016 — a expansão foi de 62,8% ao ano.

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