RODADA

Caliza capta US$ 8,5 milhões para expandir no Brasil e México

Fintech criou infraestrutura alternativa ao SWIFT para transferências entre contas de países diferentes usando stablecoins

Ezra Kebrab/Caliza - Imagem: Divulgação
Ezra Kebrab/Caliza - Imagem: Divulgação

Quando o assunto é facilitar as transferências internacionais, Brasil e México são os países onde as fintechs querem estar. Foi o caso do banco digital inglês Revolut, do Nubank, e agora da startup norte-americana Caliza. A empresa acaba de anunciar a captação de US$ 8,5 milhões em uma rodada pré-série A para expandir suas operações no Brasil e dar início ao processo de entrada no México, o que planeja fazer até o final de 2025.

Fundada em 2021 por Ezra Kebrab – um norte-americano filho de imigrantes da Etiópia e Eritreia, nascido na capital Washington D.C. –, a Caliza oferece uma API para que bancos e fintechs possam oferecer exposição a dólar a seus clientes. Em outras palavras, a startup criou uma infraestrutura alternativa ao SWIFT para transferências entre contas bancárias de países diferentes. A tecnologia permite que esse envio de dinheiro ocorra de forma instantânea, enquanto o SWIFT pode levar dias.

O investimento foi liderado pela Initialized Capital, um fundo de venture capital do Vale do Silício. Contou com a participação da New Form Capital, Abstract Ventures, Class 5 Global, Quona, Kraynos Capital, Digital Currency Group, além de investidores-anjo como Doug Scherrer, CFO do Nubank, e Lucas Lima e Alex Liuzzi, fundadores da Remessa Online.

A Caliza chegou ao Brasil em setembro de 2023 e, agora, planeja dobrar a força de trabalho no país, garantir as licenças regulatórias essenciais para as operações e avançar no desenvolvimento de produtos financeiros de ponta.

Em entrevista ao site Startups, Ezra conta que o foco da Caliza é no B2B. A ideia é oferecer às instituições financeiras e empresas em geral uma alternativa ao SWIFT. “A maioria das empresas ainda usa o SWIFT para gerenciar seu próprio fluxo de pagamentos. E nós queremos mudar isso. Nós não somos um negócio de remessas internacionais, nossos clientes são fornecedores, empresas de trade finance, bancos digitais, além de empresas que usam nossos recursos para folha de pagamento e gestão de tesouraria, ou seja, para mover fundos internacionalmente”, explica.

Atenções voltadas ao Drex

O empreendedor acrescenta que existem hoje mais de 80 países com soluções de pagamentos em tempo real, mas que são limitados domesticamente. E que desde os anos 70, quando houve a criação do SWIFT, não foi desenvolvida uma nova tecnologia para transferências internacionais. Durante sua passagem pela Visa, como diretor global de produtos e programas para fintechs, Ezra percebeu que havia demanda por uma nova infraestrutura que modernizasse esse envio de dinheiro entre países – e que muitas das startups que buscavam essa solução eram do Brasil e do México.

“Comecei a fazer algumas pesquisas e percebi que o Brasil é provavelmente o país mais interessante em termos de adoção de pagamentos instantâneos. Muitas pessoas de fora do Brasil não entendem o quanto as coisas mudaram nos últimos quatro anos, com o Pix. Você pode estar no interior do país, em uma estrada de terra, e todo mundo estará usando pagamentos digitais. Acho que por estarem tão acostumados com esse tipo de operação, existe uma realização de que esses pagamentos em tempo real deveriam existir entre fronteiras também”, diz o fundador da Caliza.

Atualmente, a Caliza utiliza stablecoins para movimentar dinheiro entre países de forma instantânea. Ou seja, moedas digitais atreladas a uma moeda oficial. É o caso do USDC, indexado ao dólar americano, e o Brazilian Digital Token (BRZ), que possui paridade com o Real. Com o surgimento das moedas digitais emitidas por bancos centrais, como o Drex, no Brasil, essa movimentação pode ganhar ainda mais segurança.

“Estamos muito animados com o que o Banco Central brasileiro está fazendo com o Drex. O mundo inteiro tem olhado para o que o Brasil está fazendo em termos de moedas digitais, e isso é certamente algo que estamos acompanhando com atenção”, aponta.

*Conteúdo publicado originalmente no site parceiro Startups.