Com a compra da CrediHome, Loft avança (mais) em crédito imobiliário

Loft
Foto: Jarek Ceborski/Unsplash

A Loft — que levantou US$ 425 milhões em uma rodada de investimentos em março — está com apetite para aquisições. A plataforma que simplifica a negociação de imóveis fechou a aquisição da CrediHome, que começou em 2018 com crédito imobiliário, lançou home equity e agora se prepara para colocar na plataforma o financiamento para construção e, mais para frente, uma linha de financiamento para incorporadoras, conforme revelou recentemente ao Finsiders o CEO e fundador Bruno Gama.

Com a operação, que não teve valor revelado, a CrediHome vai continuar operando de forma independente. Os sócios, por sua vez, se tornam acionistas minoritários da Loft — entre eles a Finvest, gestora brasileira especializada nos segmentos de crédito e imobiliário, que aportou recursos na fintech no início das suas operações.

Juntas, Loft e CrediHome passam a ter um volume agregado de financiamentos originados de mais de R$ 6 bilhões ao ano. Na prática, a transação posiciona a Loft de vez na briga com players como CrediPronto (joint-venture entre Lopes e Itaú), CrediMorar (da Brasil Brokers) e Atta Franchising, recém-comprada pelo QuintoAndar.

“Esta aquisição permitirá que a Loft expanda a oferta de financiamentos facilitados e sem burocracia para um volume maior de pessoas, por todas as regiões do país”, afirma Mate Pencz, fundador e co-CEO da Loft, em comunicado. “Vamos unir o conhecimento profundo de mercado da CrediHome com o DNA de tecnologia de ambas as companhias para melhorar a experiência dos nossos clientes”, completa.

Foi a terceira aquisição feita pela empresa no ano. Só para lembrar, no início de julho, a startup fundada por Mate e Florian Hagenbuch comprou 100% da CredPago, proptech criada em 2016 para fomentar o mercado de aluguel sem fiador. A transação rendeu ao banco um ganho de quase R$ 1,4 bilhão ao BTG Pactual, que era detinha uma participação no negócio. Em setembro de 2020, a Loft havia comprado a Invest Mais, fintech especializada em financiamento de imóveis.

O que a Loft viu na CrediHome

O modelo de negócio da CrediHome é B2C e B2B2C, porque a empresa também chega aos clientes finais por meio de acordos com quase 10 mil parceiros — entre eles, Mercado Livre e Imovelweb, por exemplo, além da Contabilizei, de contabilidade online.

Com eles, a integração pode ser de três formas: via APIs, normalmente para quem tem mais estrutura tecnológica; plataforma white-label, que estampa a marca do cliente, com o ‘powered by CrediHome’; e por último, o portal de parceiros, normalmente usado por pequenas imobiliárias, corretores independentes, com menor estrutura de tecnologia.

O passo seguinte da CrediHome foi adicionar o produto de home equity, que vem cada vez mais sendo explorado por fintechs como Creditas (que, no início do ano, comprou a curitibana Bcredi), CashMe (da Cyrela), LendMe e outras. O caminho adotado pela fintech foi ir atrás da licença de SCD (Sociedade de Crédito Direto), o que permitiria emprestar com recursos próprios.

O pedido foi feito no terceiro trimestre de 2019, e a aprovação da licença veio em outubro do ano passado. Em paralelo, a fintech já está trabalhando em uma nova linha de financiamento para incorporadoras, um mercado conhecido por grandes empresas listadas em bolsa, adiantou o cofundador Bruno Gama, na entrevista recente ao Finsiders.

Os números registrados pela CredHome ajudam a compreender a relevância da empresa no mercado. O volume originado, por exemplo, passou de R$ 350 milhões em 2019 para R$ 1,2 bilhão no ano passado. Neste ano,  a CrediHome já liberou R$ 2 bilhão.

Por mês, em média, a fintech tem originado cerca de R$ 300 milhões. Nesse ritmo, deve chegar a cerca de R$ 3,5 bilhões até o fim do ano, projetou o founder. Como funding, a empresa já rodou dois FIDCs que, juntos, somaram entre R$ 65 milhões e R$ 70 milhões, e planeja captar um terceiro fundo.

De acordo com Gama, a união com a Loft vai gerar ainda mais facilidades para clientes e parceiros da empresa. “Será possível injetar na operação mais investimentos e conhecimento em tecnologia na direção de permitir que a concessão de crédito imobiliário fique ainda mais desburocratizada e amigável para o consumidor final”, diz, em comunicado.

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