O aquecimento das 'prevtechs' e o futuro da previdência 

Uma das maiores contribuições destas novas fintechs é a introdução de uma linguagem mais acessível, escreve Carlos Augusto de Oliveira

Por Carlos Augusto de Oliveira*

Nos últimos anos, temos testemunhado uma transformação significativa no cenário econômico, impulsionada por avanços tecnológicos que estão moldando a forma como encaramos e gerenciamos nossas finanças. A indústria financeira tem se transformado, simplificando a experiencia e acesso, e, portanto, democratizado o seu uso. Uma das áreas de inovação mais recentes e promissoras dentro desse espectro é a ascensão das ‘prevtechs’. Especializadas em previdência, são fintechs que vêm desempenhando um papel fundamental na construção de um futuro financeiro melhor dos indivíduos. 

A previdência, por muito tempo, foi considerada um território complexo, permeado por processos obscuros, terminologias especializadas – rodeado por siglas e regras de difícil compreensão – resultando em uma falta geral de transparência para entendimento do público. Esta dificuldade gera resistências na aquisição do produto e pode levar a escolhas que não refletem as necessidades reais do cliente. Assim, trata-se de um risco particularmente importante considerando o longo ciclo de vida de uso do produto. 

Transformação

Com esse olhar de desburocratização e em consonância com o aumento substancial na participação de planos de previdência privada (aberta ou fechada) nos últimos anos, em parte como consequência da reforma da previdência ocorrida em 2019, as ‘prevtechs’ têm gradativamente aproveitado esta oportunidade para promover uma transformação semelhante àquela realizada nos setores de meios de pagamento, crédito digital e serviços financeiros em geral. 

Nesse sentido, uma das maiores contribuições destas novas fintechs é a introdução de uma linguagem mais acessível. Ou seja, essas empresas compreendem a importância de desmistificar os termos técnicos associados à previdência. Com isso, possibilitam que os indivíduos compreendam plenamente as nuances de seus planos de aposentadoria. Ao proporcionar uma experiência mais clara e compreensível, essas startups capacitam as pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre seu futuro financeiro. 

Carlos Augusto de Oliveira, diretor-executivo da ABFintechs. Foto: Divulgação
Carlos Augusto de Oliveira, diretor-executivo da ABFintechs. Foto: Divulgação

Ao contrário dos métodos tradicionais, muitas dessas fintechs oferecem opções de produtos mais flexíveis, adaptáveis às diferentes necessidades e estágios de vida dos clientes. Isso não apenas atende à diversidade de demandas, como também reflete a compreensão de que o planejamento da aposentadoria não tem uma abordagem única para todos. 

Open Finance

A próxima onda que promete acelerar ainda mais esse movimento é a entrada no Open Finance, que está pavimentando o caminho para uma revolução ainda maior no setor. Com a inclusão de seguros, previdência e outros serviços financeiros nesse ecossistema, os consumidores terão a capacidade de comparar produtos e preços de maneira mais simples. Hoje isso, aliás, é praticamente inacessível para a maioria das pessoas.

A possibilidade de fazer portabilidade, trocar de produto ou gestor de maneira simples e rápida, sem fricção ou dependência do eventual viés do gerente comercial, torna-se essencial, considerando as mudanças nas necessidades ao longo da vida de cada pessoa. Tudo isso irá gerar um ciclo virtuoso de competição e geração de novas soluções cada vez melhores para os clientes. 

Por isso, a importância desse mercado não está apenas na oferta de soluções inovadoras, mas também na promoção de um ‘mindset’ para um planejamento financeiro desde cedo. À medida que essas fintechs atraem a atenção da população mais jovem, contribuem também para a construção de uma cultura em que essa organização financeira torna-se uma prática contínua e inerente à vida cotidiana. Um valor extraordinário especialmente para os jovens – hoje distantes do produto pelos motivos explicados acima – preparem melhor o seu futuro. 

Finalmente, esse movimento é irreversível. Mais e mais fintechs serão atraídas para o setor e a carteira de previdência deve experimentar um aumento exponencial. Portanto, esse movimento deverá ter o cliente no centro dessa transformação, possibilitando uma experiência mais agradável, flexível e segura. 

*Carlos Augusto de Oliveira é diretor-executivo da ABFintechs.

Este espaço é dedicado aos líderes da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs). As opiniões contidas aqui representam a visão da entidade, e não a do Finsiders.

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