O novo capítulo das startups na era das corporações

Estamos em um momento de reequilíbrio e amadurecimento do relacionamento com as startups, analisa a diretora de inovação da Visa do Brasil

Por Cristiane Taneze*, para o Finsiders

Nos últimos anos, pude observar uma mudança significativa no ecossistema das startups e na maneira como as grandes corporações interagem com elas. Embora o volume total de investimentos em fintechs possa ter diminuído, a importância das corporações que se aproximam dessas startups cresceu bastante. Atualmente, as grandes empresas demonstram um interesse renovado em estabelecer parcerias com essas organizações.

Em contraste com o passado, quando as startups às vezes resistiam à entrada de grandes corporações em seu universo, agora vemos uma mudança perceptível de atitude. As fintechs reconhecem as vantagens de se associar a empresas líderes do setor. Assim, elas percebem que essas parcerias podem não apenas proporcionar financiamento, como também abrir portas para novos mercados e oportunidades, além de potencialmente transformar essas grandes empresas em clientes.

Além dos aportes diretos, as corporações também lançam mão do chamado corporate venture capital (CVC), como um veículo para investimento em startups. Só em 2022, 13 empresas de capital aberto lançaram seus fundos de CVC, totalizando mais de R$ 3 bilhões em capital disponível. Minha leitura é de que esse é um sinal claro desse interesse renovado pelas startups

Ajuste de foco

Essa mudança no relacionamento, em parte motivada pela diminuição da disponibilidade de recursos no mercado, tem aspectos benéficos também para as grandes corporações, que conseguem dinamizar a sua atuação e ganhar muito em termos de cultura de trabalho. As startups agora estão mais dispostas a dialogar e colaborar com as corporações, oferecendo soluções inovadoras que atendam às necessidades específicas do mercado.


Para as grandes corporações, o novo momento também trouxe um ajuste no foco. Em vez de simplesmente investir em startups, as empresas agora buscam parcerias estratégicas que possam acelerar sua exploração e desenvolvimento de produtos. Essas parcerias oferecem agilidade, permitindo que as empresas testem soluções de maneira rápida e eficaz, enquanto protegem sua reputação ao evitar investimentos arriscados.

A Visa tem estado na vanguarda dessa evolução, com o Programa Visa for Startups desempenhando um papel fundamental. Inicialmente, nosso programa era voltado para ajudar startups a estruturar seus negócios e definir suas propostas de valor. Era uma típica aceleradora de projetos, que proporcionou um ambiente rico em aprendizado, especialmente no que diz respeito à cultura empreendedora.

Evolução

No entanto, à medida que o cenário de startups amadurece, também evoluímos. Nosso programa transformou-se em uma plataforma de cocriação de produtos e soluções, voltada para startups estruturadas que desejam desenvolver soluções inovadoras em parceria com a Visa. Além disso, estamos orgulhosos de anunciar que essa abordagem permite que ambas as partes aproveitem ao máximo suas respectivas experiências e conhecimentos, resultando em uma colaboração produtiva que impulsiona ainda mais nossa inovação e estratégia corporativa.

O aperfeiçoamento dos programas de startups, como o Visa for Startups, se dá muito pela maior conexão entre inovação e estratégia. Diminuir a distância entre esses dois pontos é um dos grandes aprendizados adquiridos desde o início do programa.

Cristiane Taneze, diretora de inovação da Visa do Brasil. Foto: Divulgação
Cristiane Taneze, diretora de inovação da Visa do Brasil. Foto: Divulgação

Um exemplo notável desse aprendizado colocado em prática é a parceria com a startup Zig. A Zig facilita o pagamento de alimentos e bebidas em grandes eventos, indo além de uma simples forma de pagamento, fornecendo soluções para gerenciamento de estoque em restaurantes, por exemplo. Com base na nossa experiência em pagamentos, estamos trabalhando com a Zig para modernizar ainda mais a sua solução, incluindo a transição para soluções online e até mesmo o desenvolvimento de um chip de segurança para pagamentos offline.

Entendo que estamos em um momento de reequilíbrio e amadurecimento do relacionamento com as startups. Neste novo cenário, as startups e as corporações estão se adaptando para enfrentar desafios e aproveitar as oportunidades. A capacidade de inovação e colaboração entre essas duas forças está moldando o futuro dos negócios e impulsionando o avanço tecnológico em direção a soluções mais eficientes e escaláveis. Estamos em um ciclo de transformação e disrupção. Portanto, é hora de abraçar as oportunidades que ele traz, juntando forças para criar um futuro mais inovador e promissor.

*Cristiane Taneze é diretora de inovação da Visa do Brasil.

Este é um espaço editorial, onde são publicadas análises e opiniões de especialistas de mercado e executivo(a)s com temas de interesse do ecossistema de fintechs. O Finsiders não se responsabiliza pelas informações apresentadas pelo(a) autor(a) do texto.

Veja também:

TecBan quer cocriar 30 negócios em escala com startups até 2027

Fator abre as portas para startups; IA e tokenização estão no radar

Inovação aberta deve mirar em modelos de negócios do futuro