A ascensão da governança corporativa no Brasil e sua importância nas IPs

Um bom programa de governança corporativa fortalece a reputação da marca, escreve o diretor de riscos e compliance da fintech iugu

Por Julio Macedo*, para o Finsiders
Nos últimos anos, grandes companhias e especialistas do setor financeiro têm reconhecido a importância da adoção de práticas sustentáveis no ambiente corporativo. Notoriamente, a agenda ESG ganhou os holofotes e vem estimulando este universo a se adaptar a questões ambientais, sociais e de governança.

Para se ter uma ideia, 76% das empresas brasileiras, desde o setor privado até órgãos públicos e instituições financeiras, afirmam já ter adotado práticas ESG dentro das suas estratégias de negócio, conforme um estudo da consultoria KPMG. Em outras palavras, instituições dos mais diversos segmentos se movimentam para serem mais bem vistas tanto pelos consumidores como também para investidores, parceiros e fornecedores.


Mas onde as instituições de pagamentos entram nessa história? Aqueles que adotam práticas ESG — ou ao menos sinalizam que estão se adaptando à agenda de forma gradual — inevitavelmente atraem olhares positivos dentro do seu mercado de atuação. No setor financeiro, isso não é diferente. Pelo contrário: o “G” da sigla é indispensável para a saúde do negócio. Assim, é impossível pensar em mercado financeiro sem investimento em governança. 

Um bom programa de governança corporativa é capaz de auxiliar na redução de riscos, fortalece a reputação da marca e crava a credibilidade de uma empresa que está lidando com o dinheiro de terceiros. Por exemplo, 67% dos consumidores brasileiros buscam se informar sobre as práticas ESG de uma empresa antes de adquirir um produto, de acordo com uma pesquisa da Opinion Box em 2022. 

Ética e integridade

Apostar em um bom programa de compliance, que preza pela ética, integridade e ajude a empresa a se proteger contra problemas que possam acometer de alguma maneira a instituição é a chave para fazer isso acontecer. Por meio dele, institui-se uma boa política de governança corporativa, que ajudará na prevenção contra problemas como ataques cibernéticos. 

Julio Macedo, diretor de riscos e compliance da iugu. Foto: Divulgação
Julio Macedo, diretor de riscos e compliance da iugu. Foto: Divulgação

Um grande exemplo disso foi o caso de uma instituição bancária que passou por um vazamento de dados. Na ocasião, foram expostas diversas informações de clientes como nome completo, data de nascimento, CPF, endereço e outros dados financeiros que incluíam até limites de cartão de crédito. O vazamento foi detectado por meio de uma fragilidade da plataforma de fornecimento de tecnologia pela central de atendimento e precisou ser rapidamente corrigida. 

Dessa forma, fica nítida a importância da instituição de práticas de governança para garantir a segurança das instituições de pagamento (IPs). A partir do momento que empresas, líderes e até empreendedores investirem fortemente nos pilares ESG, eles estarão dando mais um passo para se destacar no mercado. Com isso, também ajudarão o mundo a se tornar um espaço mais sustentável. 

*Julio Macedo é diretor de riscos e compliance na iugu, empresa de tecnologia para gestão e automatização de meios de pagamento online.

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