Opinião

América Latina é uma das regiões mais férteis para as fintechs e suas inovações - Davi Holanda/Bankly

Davi Holanda*

Com o crescimento exponencial na adoção de tecnologias digitais no mundo impulsionado pela pandemia da COVID-19, a demanda de inovação para os serviços bancários aumentou. Os clientes começaram a questionar o modelo bancário tradicional e procurar novas possibilidades digitais, o que abre um espaço no mercado para o crescimento das fintechs. Segundo pesquisa realizada pela Belvo, no Brasil, a área de fintechs pode gerar receitas de US$ 24 bilhões nos próximos dez anos, enquanto o setor é capaz de ocupar até 30% do mercado financeiro mexicano em 2023.

Apenas 51% dos adultos latino-americanos são proprietários de contas bancárias, segundo o último Global Findex do Banco Mundial, número que varia dependendo da região: no Brasil, de acordo com o relatório, 70% dos adultos possuem uma conta bancária, já no México esse número baixa para 37%.

Isso se deve também ao fato de que soluções como o Banking as a Service (BaaS) estão cada vez mais aquecidas no mercado. De acordo com o Business Insider, embedded finance, ou finanças embutidas, vão alcançar o valor de US$7.2 trilhões mundialmente até 2030.

O interesse em BaaS e no conceito relacionado de banco incorporado vem crescendo, o que mostra a importância das fintechs em um momento em que diversas empresas procuram ofertar serviços financeiros. A ideia traz cada vez mais entusiastas em atuar nesse setor e participar desse novo mercado.

Essas projeções têm relação com o Open Banking, que vai garantir o compartilhamento de dados bancários para facilitar as transações do cliente final. Enquanto países como Argentina, Chile e Peru ainda estão nos passos iniciais, o Brasil está liderando a implantação, seguido pelo México. O Open Banking trouxe o movimento de ampliação Open Finance, em que serviços de previdência e seguros passam a fazer parte do sistema integrado, além das instituições bancárias, autorizados pelo Banco Central.

No Brasil, muitas instituições financeiras estão se antecipando com as requisições para aderirem ao Open Banking e uma das estratégias é a de abrir as APIs relacionadas à informação e abertura de contas, transações, entre outras, com facilidade e segurança durante a troca de dados, já que não precisa de nenhum sistema intermediário. Dessa forma,  os dados poderão ser compartilhados com mais facilidade pelas instituições, o que abre um espaço para oportunidades comerciais, facilitando o acesso a produtos e serviços que antes eram muito mais burocráticos.

Cabe às pequenas e grandes empresas identificarem as oportunidades de aumento em suas propostas de valor com finanças embutidas para tirarem melhor proveito desse mercado.

*CEO e Founder do Bankly