Na Own, os serviços financeiros são 'próprios', até a adquirência

Fundada em 2021, a techfin Own soma 24 clientes, espera atingir 100 este ano e prevê movimentar R$ 1 bilhão/mês

De olho no movimento de ‘embedded finance’, a mineira Own Financial Services construiu uma plataforma que quer ir além do tão comentado banking as a service (BaaS). A ‘techfin’ aposta em um portfólio de produtos e serviços financeiros white-label que inclui soluções de banco digital, adquirência, benefícios corporativos, crédito, onboarding digital de clientes e emissão de cartões com a bandeira Mastercard.

“Não oferecemos só conta digital com Pix, mas também ‘full adquirência’, serviços de folha de pagamento e antecipação salarial”, conta ao Finsiders o diretor de operações e vendas, Wendel Paz, executivo que passou por companhias como Banco BS2, CSU, iugu e atualmente também é advisor na Tivit. “Outro diferencial é que criamos contas digitais com múltiplos saldos, e as empresas podem configurar funcionalidades, por exemplo, benefícios flexíveis.”

Com a infraestrutura de plataforma como serviço, empresas de diferentes setores podem se plugar às soluções e, em poucos dias, emitir cartões, oferecer contas digitais e adquirência, garante ele. “Desenvolvemos um ‘super app’ em que todos os serviços estão dentro de um marketplace, e a empresa vai escolhendo nesse cardápio”, explica o executivo. O portfólio, em módulos, também é entregue por meio de APIs ou kit de desenvolvimento de software (os chamados SDKs).

TPV de R$ 1 bi/mês

Fundada em 2021 por Alisson Idaló (ex-Social Bank, Hub Fintech e Vlast), a Own começou há cerca de cinco anos como uma software house e, com o tempo, evoluiu para um modelo de ‘techfin’. O caminho vem sendo pavimentado e apoiado por um investimento de R$ 30 milhões do fundo de Venture Capital Tutto Invest, recebido no início do ano passado. A própria chegada de Wendel e de Taiane Fraga Lima (ex-Social Bank e ValeCard) como diretora de estratégia, produtos e inovação é fruto dessa injeção de recursos.

No apagar das luzes de 2022, a empresa também recebeu aprovação do Banco Central (BC) para operar como instituição de pagamento (IP) — a Servnet Instituição de Pagamento —, nas modalidades emissor de moeda eletrônica, emissor de instrumento de pagamento pós-pago e credenciador. “Estamos no período de homologação, após receber a licença. Nos próximos dias começaremos a trabalhar com as nossas próprias contas”, diz Wendel.

Da esq. para a dir., Taiane Fraga Lima (diretora de estratégia, produtos e inovação), Alisson Idaló (fundador e CEO) e Wendel Paz (diretor de operações e vendas), da Own. Foto: Divulgação
Da esq. para a dir., Taiane Fraga Lima (diretora de estratégia, produtos e inovação), Alisson Idaló (fundador e CEO) e Wendel Paz (diretor de operações e vendas), da Own. Foto: Divulgação

Hoje, a Own atende 24 clientes, incluindo o braço financeiro da Pernambucanas, a Pefisa, além de nomes como CeoPag, Clinicorp — um software de gestão para clínicas de saúde que lançará sua maquininha ainda este mês — e a também mineira ValeCard, especializada em soluções para gestão de frotas e benefícios, com sua empresa de captura de cartões Ágilli.

A projeção é chegar a uma carteira com 100 clientes até o fim de 2023. “Tem um grande distribuidor de bebidas, com operações no Norte e no Nordeste, que contratou nossa solução de adquirência. Também fechamos contrato com um banco de câmbio”, afirma Wendel. “Estamos montando a estrutura este ano para atender também bancos médios e subadquirentes.”

Os volumes processados ainda são tímidos, mas as expectativas para este ano, nem tanto. Em 2022, a Own movimentou R$ 178 milhões/mês e tem intenção de chegar a dezembro deste ano com um TPV de R$ 1 bilhão/mês. “Dos 24 clientes que temos hoje no portfólio, metade já está em operação e a outra metade, em fase de implantação.”

Neste ano, além de ampliar a carteira de clientes e a entrada em novos segmentos, a Own está trabalhando para criar conexões com processadores de pagamentos. Para o segundo semestre, a techfin também mira oferecer a modalidade de conta “escrow”, também conhecida como “conta-caução”, com foco em FIDCs e securitização. O próximo passo será ir atrás da licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD) para evoluir nas próprias ofertas de crédito.

Mercado

Com a tendência de ‘fintechzação’, o jogo da infraestrutura de produtos e serviços financeiros vem ficando mais competitivo. Os players vão desde soluções de banking as a service (BaaS), passando por credit as a service (CaaS), até plataformas que se definem como verdadeiras “fábricas de fintechs”, definição usada, inclusive, pela própria (ops!) Own.

A relação de concorrentes é extensa e inclui nomes como Dock, Celcoin, Hub Fintech (do Magalu), FitBank, Swap, Zoop e outros. Quem também quer incomodar os grandes players de BaaS também é a catarinense Transfeera, que acabou de levantar R$ 7 milhões. Sinal de que a tarefa para a Own não será fácil.

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